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Caves dos sonhos esquecidos I Cristina Regadas e Paulo Lisboa

News November 8, 2018
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Esquerda: Paulo Lisboa, Sem título, 2016, Grafite sobre cartão 140×100 cm.

Direita: Cristina Regadas, Sem título, colagem digital, dimensões variáveis, 2018.

 

Cristina Regadas e Paulo Lisboa

Caves dos sonhos esquecidos I

curadoria: José Almeida Pereira

 

17 Novembro a 15 dezembro, 2018
Inauguração – 15h, Sábado 17 Novembro
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Rua Julio Dinis s/n (Pavilhão s/ número)

4050-175 Porto

Em 2010 saiu nas salas de cinema um dos muitos filmes de Werner Herzog, com o título “Cave of forgotten dreams”. Esta estreia coincidiu com um tempo em que os sonhos dos portugueses teriam de ser revistos de modo a não se tornarem pesadelos.
Este filme trata da visita e análise a uma gruta em frança que parece conter as pinturas rupestres mais antigas até agora encontradas. Foi o primeiro e único filme que Herzog realizou com uma câmera de duas lentes, mais conhecida por produzir filmes para visualização 3D. A decisão partiu da primeira deslocação que o realizador fez à gruta. Seria a melhor solução para oferecer ao espectador o sentido daquilo que provavelmente nunca poderá assistir ao vivo (a gruta está estritamente proibida a visitas, apenas técnicos e especialistas têm acesso, uma ou duas vezes por ano, de modo a preservar o seu habitat).
O que se vê é uma viagem pelas maravilhas da arte dos primeiros homens. A elegante manipulação dos meios disponíveis para registar nas paredes as suas visões. Ao longo do filme vamos percebendo que as mentes que projectaram aqueles registos eram refinadas e completas. Não há nada ao longo da história da humanidade que tenha superado aquela consciência, pois o sentido das formas, o movimento, o tempo de intervalo das figuras está soberbamente ajustado às qualidades das pedras que acolhem aquelas marcas.
A arte ainda hoje se faz de um modo equivalente. Nas “grutas”, sendo reais (caves, estúdios, salas) ou alegóricas (computadores portáteis, salas de reunião, cafés, aviões), o que prevalece é essa disposição em transe, esses momentos em que nos despimos das funções do quotidiano e deixamos os sentidos navegar pelas notas livres da realidade até escutarmos as ondas que nos são síncronos.

Este é o mote para uma série de exposições que serão realizadas por artistas próximos, com os quais comparto ideias e ilusões em relação ao espírito da arte, que assim as suas quimeras coabitem com demais artistas tornando manifesto um inconsciente partilhado.

Terão lugar num espaço de exposições que é transparente. Uma sala que não está longe de um palco. Uma montra/recinto no complexo de Mota Galiza, no centro da cidade do Porto, onde a circulação de veículos, de homens e mulheres de trabalho, raramente tem intervalo. Uma sala de exposições que é um lugar de passagem da vida da Pólis, do lado oposto a uma estação de abastecimento automóvel, que as visões destes artistas possam por sua vez ser combustível para sonhos a relembrar.

José Almeida Pereira